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Liderar a mudança na era digital: fortalecer a liderança das mulheres para democracias mais inclusivas

Painel sobre liderança transformadora e governança democrática durante a Academia Regional de Liderança das Mulheres na Era Digital, um espaço de intercâmbio entre lideranças femininas, especialistas e representantes de diferentes setores da região. Crédito: © PNUD América Latina e Caribe / Academia Regional de Liderança das Mulheres na Era Digital

À medida que a transformação digital redefine a vida pública na América Latina e no Caribe, as instituições públicas enfrentam um desafio fundamental: garantir que as mudanças tecnológicas contribuam para promover, e não para fazer retroceder, a igualdade de gênero e a governança democrática. Com esse propósito, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em parceria com a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), no âmbito da Electoral Compass, a aliança global para a assistência eleitoral, realizou no Panamá, em 2026, a Academia Regional de Liderança das Mulheres na Era Digital. A iniciativa reuniu mais de 40 mulheres líderes de toda a região para fortalecer suas capacidades de impulsionar processos de transformação institucional em um mundo cada vez mais digital. 

A Academia baseou-se na experiência acumulada em edições globais anteriores e concentrou-se no fortalecimento da liderança transformadora, da comunicação estratégica, da governança digital e da colaboração entre gerações e setores. Seu principal objetivo foi proporcionar às mulheres líderes os conhecimentos, as ferramentas e as redes necessárias para atuar em ambientes democráticos complexos e, ao mesmo tempo, promover avanços na igualdade de gênero. 

Fortalecer a liderança para a era digital 

Durante três dias, as participantes abordaram alguns dos desafios mais urgentes enfrentados atualmente pelas democracias e pela liderança das mulheres. Os debates destacaram como a digitalização e a inteligência artificial estão transformando a governança, a participação política e o debate público. 

Ao mesmo tempo, foram destacados os riscos crescentes associados à desinformação, aos vieses algorítmicos, à violência digital e às desigualdades no acesso à tecnologia. Esses desafios afetam as mulheres de forma desproporcional, especialmente as mulheres jovens, indígenas, afrodescendentes e com deficiência. 

A Academia analisou como as instituições públicas podem responder a esses desafios por meio de políticas inclusivas, de uma governança digital ética e de salvaguardas mais robustas para proteger a integridade democrática. As participantes também refletiram sobre a importância de desenvolver marcos regulatórios que promovam a transparência, a prestação de contas e abordagens de inteligência artificial com perspectiva de gênero. 

Outro eixo central foi a liderança transformadora. Por meio de exercícios práticos, aprendizagem entre pares e debates estratégicos, as participantes fortaleceram competências como pensamento estratégico, prospectiva, inteligência emocional, criação de redes e comunicação estratégica. Essas capacidades são cada vez mais essenciais para as mulheres líderes que buscam influenciar a tomada de decisões públicas e promover agendas de igualdade em ambientes altamente dinâmicos. 

Aprender com a diversidade e a colaboração 

A Academia reuniu mulheres líderes de 24 países da América Latina e do Caribe, provenientes de instituições governamentais, organizações da sociedade civil, órgãos eleitorais, academia e dos âmbitos parlamentar e judiciário. 

O caráter inclusivo e intergeracional do programa criou um espaço de diálogo entre mulheres líderes com experiências e perspectivas diversas. As participantes destacaram especialmente o valor da troca de experiências e da identificação de desafios comuns que transcendem os contextos nacionais. 

Depoimentos 

“As conexões entre os diferentes âmbitos e o espaço para compartilhar abertamente nossas ideias. A principal lição é nunca permitir que sua voz ou sua opinião sejam minimizadas ou ignoradas.” 

Participante da Academia, 2026 

“Foi extremamente enriquecedor trocar experiências e perceber que, embora nossos contextos sejam diferentes, muitas das barreiras que enfrentamos como mulheres na política são comuns.” 

Participante da Academia, 2026 

“A integração de mulheres líderes do Caribe, pessoas com deficiência, povos indígenas e homens fortalece significativamente a atuação em favor da agenda de igualdade de gênero.” 

Participante da Academia, 2026 

Participantes da Academia Regional de Liderança das Mulheres na Era Digital celebram a conclusão do programa, que reuniu lideranças femininas de 24 países da América Latina e do Caribe para fortalecer capacidades de liderança, incidência e colaboração no contexto da transformação digital. 
Crédito: © PNUD América Latina e Caribe / Academia Regional de Liderança das Mulheres na Era Digital

Por que isso é importante para as instituições que promovem a igualdade de gênero? 

Os debates reafirmaram uma lição fundamental: promover a igualdade de gênero na era digital exige mais do que lideranças individuais. Exige instituições capazes de enfrentar barreiras estruturais, proteger a participação democrática e garantir que as tecnologias emergentes sejam concebidas e governadas de forma inclusiva e equitativa. 

Essa visão está estreitamente alinhada ao Selo de Igualdade de Gênero para Instituições Públicas do PNUD, que apoia as instituições públicas na identificação de desigualdades, no fortalecimento de suas capacidades institucionais e na integração da igualdade de gênero em suas políticas, sistemas e processos de tomada de decisão. Ao promover lideranças transformadoras, redes de colaboração e abordagens sistêmicas para a mudança, iniciativas como a Academia Regional de Liderança das Mulheres contribuem para construir instituições mais bem preparadas para responder às necessidades de todas as pessoas. 

Os resultados da Academia demonstram seu impacto: 95% das participantes afirmaram que o objetivo de fortalecer as estratégias de articulação e criação de redes e alianças foi plenamente alcançado, enquanto 97% relataram ter fortalecido suas capacidades de influenciar e participar da tomada de decisões em ambientes políticos e digitais complexos. 

Esses resultados refletem a crescente demanda por modelos de liderança capazes de articular a igualdade de gênero, a governança democrática e a transformação digital. 

À medida que os países da região continuam a atravessar um período de rápida transformação tecnológica, investir na liderança das mulheres e em instituições públicas comprometidas com a igualdade de gênero continuará sendo fundamental para garantir que o futuro digital seja democrático, inclusivo e sustentável. 

Saiba mais sobre a Academia: 

Academia Regional de Liderança das Mulheres na Era Digital 

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